segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Água com açúcar

Corpo de chão
Como estrelas que morrem
E vagam pelo espaço como poeira.

Corpo de chão
Como folham secas
Que se tornam apenas matéria orgânica.

Corpo de chão
Dos que dormem sem referencial.

Corpo de chão
É a poesia na língua da química
Para quem repara no momento que pintam sua tela
com um gráfico.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Poema no papel higiênico

Rolo, roda
É tudo frio
Mas os ventos voam
E mudam
Mudos.

Mudas de pensamento
Com sistema nervoso pequeno
Que sangra e chora
E se embola

No rolo
Rodo
Bolo
De papel higiênico

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A luz invisível

Voei junto com a luz
Ofuscada pelas estrelas
transformadas em móbiles

Na realidade do fogo
que nos cega
E atrai
Como sereias do céu.

Que levanta seu véu
no beijo da morte
E num corte
Se escapa
Perdendo conteúdo
para os que não veem.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Infinito

(...)
Aqui estou parado
eu
Na boca do infinito
inexistente
Que me percorre

Como louco
pulo e rio
E caio no chão
de sentimento inexistente
Sentimento do meu infinito

Percorrido por
milhares de infinitos
Que se limitam á minha memória.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Renascimento

Eu não entendo essas pessoas
Que falam falam falam
E não querem dizer nada

Eu não entendo essas pessoas
Que gritam para serem escutadas

Ser adulto, complexo, problemático
é tão fácil
Difícil é ser criança, simples.

Ah quando eu voltar a ser criança!
Minha felicidade vai caber
dentro de um bambolê
Quando eu voltar a ser criança
Vou correr o mais rápido possível
Só para sentir o vento no rosto
E um mundo velho ficando para trás
Como a minha infância.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Nuvens

Eu vejo a minha infância no céu
Voando, correndo, pulando
Como um filme que se passa na cabeça
Uma pintura que não se concretiza.

Vejo uma joaninha voando de paraquedas
O tribunal veio todo assistir
Junto com trens de hienas
E o papagaio fala que caminho seguir.

O mundo gira
E as nuvens correm mais rápido
Para se movimentar
Ninguém desiste na corrida

Cada um no seu tempo
Do seu jeito
Corre para existir

Plantados ou criados
Amados ou inventados
Vivem para sonhar
Seu sonho de criança.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Talvez

Talvez um dia eu possa
te dar uma música
que tenha cheiro de terra molhada
que seja linda como a chuva
que faz concreto virar gelatina
perto da tecnologia das árvores.

Talvez um dia eu possa
te dar um quadro
que pareça um teatro de sombras
com trevas coloridas.

Talvez um dia eu possa
te dar a passagem para a
Terra do Nunca

Talvez um dia eu possa
Fazer poesia.