sexta-feira, 30 de novembro de 2012

o que te sobras é a repressão

Não negocio. É isso que você tem a dizer? São essas as suas palavras autoritárias Ah muito obrigada, e pensar que um dia você já quis mudar o mundo. E pensar que um dia você teve uma ideologia. Você é o líder da geração coca-cola.
A geração pós-ditadura que segundo vocês, socialistas festivos, não tinha ideologia. Mas a geração da ditadura é a própria geração coca-cola que deixou de acreditar em vocês mesmos. Que agora está bem de vida e só uns ou outros se preocupam com os pobres, com o preço da passagem de ônibus, com o mundo além da economia.
Do que adiana você ter lutado contra a ditadura e ser autoritário. Repense, você já foi jovem. Por que deixou de ser? O que fez você esquecer de seu berço e apoiar a direita? Você está no passado. A esquerda já mudou.
Por que reclamas se não lutas? O que te sobras é a repressão.
O que sobrou da amargura de tempos difíceis é transmitido para esse. Se tem gente que diz que recebemos tudo de mão beijada é um erro, porque vocês que deviam nos passar conhecimento e sim nos dar tudo de mão beijada,  nos repreende, para que? Pra aprendermos o que é ter raiva, o que é discordar, o que é lutar?
Agora minha luta é contra a coca-cola.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

look

Este tecido preto que cobre minhas vergonhas. Este roxo os meus desapontamentos. Este olho, as tristezas.
O olho é engraçado, tão belo e tão malvado, conforme tudo ele muda. Me escondo através de olhos e roupas.
Meu corpo diz quem eu sou? Os outros dizem quem eu sou ou sou eu que digo quem eu sou?
Esta palha protege minhas bases, o plástico roxo me direciona. Esta roupa elástica que me  envergonho em meu casco dançarino.

Fingimento

A secura da garganta vai dominando a fala, vai contaminando, o seco amarga o texto, o vermelho cobre o papel. O mel que finge adoçar com a pontada que uma abelha pode dar.
Os disfarces da vida, o fingimento que finge ser bom, o texto que finge ser poesia, a dança contemporânea que finge ter mensagem, os protestos que fingem ter causa, os sentimentos que fingem ter lógica, os sonhos que fingem ter motivos.
O instinto do homem, o fingir, os ataques, os primatas, neandertais, tanto faz. Fingimos que classificamos para o bem, fingimos que ajudamos os outros, fingimos que nos importamos enquanto apenas somos peças de um mesmo jogo, cada um com o seu jeito de ganhar, mas todos tem a sua missão, podemos fingir ou não. Fingir que não fingimos ou apenas fingir para fugir.

A menina que não sabia sorrir

- Eu não sei mais sorrir. - Falou a menina.
- Como? - A amiga não entendeu.
- Eu não sei mais sorrir, não sai, eu não consigo. Não estou triste, só não sei sorrir. É tanta coisa ruim...
- Se acalme, ainda existem coisas boas.
- Eu sei, e eu estou feliz. Quando vejo algo bom me alivio, mas não fico feliz. Quando sonho, me sinto feliz, estou quase sorrindo e acordo. Quero sorrir, mas não consigo, ele sai feio e forçado. - A menina começou a chorar.
- Se acalme. E quando vocÊ vê algo bom?
- Quando sinto a brisa do vento, quando vejo o sol e a natureza, quando vejo alguém legal, quando a alegria se instala em mim, um sorriso falso, dolorido e amarelo não é suficiente para mostrar o que sinto. Quando eu quero sorrir eu escrevo.
Quando a menina terminou de falar seus olhos estavam brilhando e mais um conto estava pronto.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Tempo de mudança

Novos rostos, novo grupo. Solelim de novo. É...
Talvez conhecer o novo seja pior do que se separar do atual. Ainda não caiu a ficha. Olá, novos amigos, olá novas pessoas. O mais estranho é ver a ansiedade dos outros com o desconhecido. Eu já conheço e até fujo  .
Um novo lugar. De 84 para 89, já passei por isso, vou passar de novo, não sei explicar. Talvez me separar do meu grupo não seja o pior, mas ser incluída a força num lugar que não é meu. Esse não é o meu grupo. Esse degrau que existe entre nós é do tamanho de um muro, não quero ir para o outro lado, demorei tanto tempo para subir e agora parece que foi tudo em vão.
Por que fingimos que nada ia acontecer? Esses rostos são tão estranhos para mim, é como estar de penetra numa festa e ainda chegar no meio. Não sei o que falar, mas fico muito desapontada e triste.

Desculpe pelo texto tão específico que poucos irão entender e nada poético, mas para quem para de escrever, usar a folha como um amigo para desabafar é o primeiro passo para volta.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A mulher que se casou com a música

Toda noite deitava em sua cama, ligava o seu ipod e tentava dormir, mas na verdade ficava esperando. Ficava esperando a música vir se encontrar com ela, ficava na sua cama com a música, no escuro. Até que abria seus braços, relaxava todo o sue corpo e a música vinha, se instalava em seu corpo, começava a dançar.
A dança consumia todas as suas energias, vinha a felicidade, imaginava céus azuis, via a música em seus sonhos, amava a música. Amava tanto a música que se casou com ela e todas as noites, até hoje, dormem juntas, como marido e mulher.
Todas as noites dançam antes de dormir, se amam, brincam e se ouvem, em harmonia eterna.

domingo, 26 de agosto de 2012

Quero

Quero manchar estas páginas
com a tinta de minhas palavras.

Quero falar nesta tela
com as palavras das tintas.

Quero cantar
com meus protestos.

Quero protestar
com meu canto.

Quero me expressar
em silêncio.

Quero viver
com encanto
que desse jeito me encontro.